25 de out. de 2018




O conto Seu Dé registra a história de um "ex-alcoólatra" até  o resultado de sua comemoração longe do álcool.  

Após abstinência de quatro meses, Seu Dé comemorou bebendo quatro litros de pinga referentes ao tempo parado. O bar encheu de pagantes. Mas interessante é o seguinte trecho: "Provou pra seu Geraldo do bar que não era nenhum vira-latas... provou para a sua mulher que ainda podia trabalhar de 'pastoreador' de carros." 

Ele mostra a ironia pelo destino de Seu Dé que ao se negar voltar para casa dorme embaixo de um caminhão e: 

"Dê se acomodou debaixo do carro e dormiu, dormiu fácil, sonhou que voava e dava giros em torno do pico da serra do Catolé ao redor da estátua do padre Cícero, que furava as nuvens como uma flecha e dava rasantes  perto das juremas... Dormiu seu Dé, e nunca mais acordou."

Com esse final sabemos que o conto trata-se de uma homenagem in memoriam ao Seu Dé. Texto bem simples e de fácil leitura com referências bem regionais do Cariri. Possível local onde o personagem e contista conviviam.
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* Sobre Ricardo da Costa Campos

Tem 2 publicações pelo Sesc, através do performance poética (Fragmentos e Tereza), um dos ganhadores do III Concurso de contos do Sesc Unidade Crato em 2010 (A sombra do Invisível), 1 publicação pela UECE - Universidade Estadual do Ceará (Carta a Teófilo). Artista Visual e integrante do Grupo "Roteiros poéticos Boêmios".

*Reprodução biográfica está no livro IV Coletânea de Contos.



24 de out. de 2018


Noves partes constituem esse conto, cada parte está em reunida para contar sobre o estado de emoções inconstantes na vida da personagem de nome não identificado. Sabemos que a mesma sofre por amar e a cada etapa se decepciona com a espera do amado. 

O interessante são associações que a personagem principal faz referente a essa pessoa tão amada vir do mar e da mesma forma desaparecer mesmo prometendo o amor não fincado. 

Palavras como: naufrágio, navegar, mergulho, submerso, navegante, barco, rio, mar.

As divisões já referidas podem ser consideradas, ao meu ver, as etapas frágeis do amor da personagem principal por alguém denominado Ramirez (podendo ser uma marinheiro espanhol pelas referências.) 

Segue alguns apontamento que realizei durante a leitura e releitura do conto:

I)Sonho delirante com o amado, considerado como alguém impossível de se fixar em um relacionamento.
II) Ficam juntos. 
III) Separam-se. "Não sei o que fazer do que sobrou do navegante, de quem só tenho a imagem".
IV) Cita Neruda. Chama o amante. "Por onde você anda?"
V) Pensava ser o mar, mas enganou-se. "É a terra abaixo do mar, a terra à beira-mar." "Você sabe que é bem minha cara escrever  um conto pra esconder tudo que aconteceu voltar a ser uma mulher de segredos."
VI) Tentativa de produção escrita ao amor impróprio por condições. 
VII) Lamentação das escolhas como erros. "As palavras são malditas como  você."
VIII) Não há como se expressar, perplexa ao distanciamento. "Felicidade é silêncio?"
IX) Se entrega novamente, como no início. 

Em resumo do ciclo emotivo da personagem foi: amor, questionar, raiva, desabafo, entrega. Por um momento, cheguei a relacionar esse Ramirez como metáfora durante o processo de escrita; claro, essa vertente também é possível. Ou seja, a cada leitura o conto mostra uma face das diversas possibilidades. Muito bom!

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*Sobre  Nataly Pinho Chaves

Natural de Fortaleza (CE), é professora efetiva de Língua Portuguesa do Estado, vinculada à SEDUC-CE; Professora coordenadora da Área de Linguagem e Códigos do Programa de Nacional de Educação na reforma Agrária (PRONERA), vinculado à Pró-reitoria de Extensão da UFC e participa no blog "falodepoeta".



*Reprodução da Biografia - IV Coletânea de Contos

22 de out. de 2018



O conto é marcado por emoções, mais negativas do que positivas, que cercam a vida de Ignez. Mora em Barbalha (Ceará) com seu pai e família. Perdeu sua mãe há pouco tempo; a saudade é sufocada pelos outros personagens (seus familiares), o que piora seu estado de prisão interna.

Vestes enlutadas, "solitária flor do medo. Medrosíssima, cresceu em silêncio de canário fêmea" são algumas características da  personagem principal. Em poucas palavras, Profundamente é sua vida silenciosa e prisioneira das escolhas alheias e podemos dizer também que é forte por lidar com perdas que rasgam a alma frente aos seus olhos.

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*Sobre a contista

Paula Izabela de Alcantara Alves - "Atividades profissionais atualmente: Professora de Português na Rede Pública Municipal desde 2006; Produtora Cultural no CCBNB desde 2007 e Parecerista da Conhecimento Editora desde 2012."


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*Texto divulgado na edição do livro IV Coletânea de Contos.

10 de out. de 2017



         O testamento inicia com a expectativa de um finado e a divisão de seus bens entre parentes conforme sua vontade. Assim acontece, mas a presença de um estranho na audiência e parte da herança promove suspeita e curiosidade. Desta forma, o filho do falecido decide perguntar seus direitos compartilhados. 

         A atitude do estranho, descrito como um motoqueiro, em resposta ao questionamento do filho promove mais mistério. Diz:

"-Ele pediu mistério, disse que me procuraria, pediu para lhe informar que se quisesse saber o porquê, que me acompanhasse durante uma breve jornada.
- Saio amanhã pela manhã, passarei às oito horas por esta praça. Se quiser saber o porquê, me acompanhe, serão sete dias longos, sete dias para realizar o que foi por mim prometido. Sete dias para salvar seu pai." (2012, p.40-41)

      Após essa atitude inesperada, tudo fica cada vez mais interessante; podemos perceber diversas intenções e rumos que a história pode ser desenvolvida. O filho do falecido aceita o convite e em sua Harley-Davidson (presente de seu pai) segue o rapaz misterioso.

           Quilômetros percorridos, os personagens se deparam com uma pobre comunidade indígena. Tudo se encaixa. A vontade do falecido, seu filho e o jovem motoqueiro. O falecido ajudava quatro comunidades.

        Muito pode ser desenvolvido a partir desse conto, por exemplo: o fato da memória afetiva entre filho e pai, o aparecimento do inseto denominado esperança em vários momentos do conto, qual a razão dos número serem distribuídos tão exatamente na fala do jovem motoqueiro, dentre outros.

             É encantador a sensibilidade nas atitudes dos personagens presentes  nesse conto, a mensagem permanece mesmo após semanas a leitura.





As informações sobre o contista Cícero Eduardo:

"Natural de Juazeiro do Norte-CE/Brasil, é formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional pela Universidade Regional do Cariri - URCA. Atualmente é docente do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará - UFC, Campus Cariri e realiza atividades na agência de publicidade 3Orbi Comunicação como Direto Geral e Consultor de Marketing, na Associação Desportiva e Recreativa e Cultural (ICASA) atua como Diretor de Marketing. Nas horas vagas, gosta de ler e escrever contos, pois acredita que o processo criativo não pode parar, característica inerente à sua profissão."*


*IV Coletânea de contos. _ Fortaleza: SESC, 2012. 

30 de ago. de 2017

Um conto por dia: O carrasco, Francisco Alves Rocha



      Através do título o conto já propõe a perspectiva do crime, do julgamento, do culpado, da culpa, da sentença, da vítima; mas, o contista Francisco Alves Rocha coloca seu 

     A narrativa inicia com a procura e compra de um sítio (antes denominado de Venha Ver e após a negociação, Sítio Nada a Ver) por necessidade do dono de se tornar um ermitão, conforme afirma no conto, "um ermitão moderno, digamos".  Podemos captar o interesse do dono em viver isolado da cidade e de companhias  a partir da descrição do lugar e de suas novas denominações:

"Além da casa sede, que denominei de 'mosteiro', havia no local um pomar, o 'Éden' uma pequena área coberta de plantas nativas, a 'Floresta negra' e, finalmente, o 'Lago dos cisnes' (...) (2012, p.33)* 

   Devido as necessidades alimentícias o narrador teve a necessidade de se relacionar com o personagem Seu Carrim, senhor "de meia-idade e um negro intenso", o mesmo passou a frequentar seu refúgio com histórias da cidade, suas aventuras, dentre outros. 

       A partir deste momento o narrador começa a contar o fato que leva o nome do conto, o mesmo se autodenomina, respectivamente, como: único protagonista, acusador, defensor, jurado, juiz, executor ou carrasco. Ficamos na expectativa dos fatos seguintes. Como? De quem? Por qual razão? 

   Conhecemos o personagem que sofreria a pena. Tomamos conhecimento das circunstâncias que chegou ao Sítio Nada a Ver, como conquistou o narrador e o motivo do mesmo ser seu carrasco. Ao final do conto, ficamos aliviados juntos com o narrador devido a reviravolta da narrativa.


As informações sobre o contista Francisco Alves Rocha são:

"Nascido no Crato e filho do poeta João Alves Rocha. Iniciou desde cedo à produção de contos literários. Seus contos apresentam influências dos diversos estados onde já morou e de uma vida ligada à família e aos amigos."*


*IV Coletânea de contos. _ Fortaleza: SESC, 2012. 






29 de ago. de 2017

Shakespeare and Company: 
uma livraria na Paris do entre-guerras, de Sylvia Beach

              O texto aborda o relato pessoal da americana Sylvia Beach acerca da idealização e implantação de sua famosa livraria Shakespeare and Company que se localizava na Rue de l'Odéon número 12, em Paris. 

              Na livraria circulava a venda e "empréstimo" voltados para a Literatura Inglesa, bem como ponto de encontro para vários escritores e intelectuais da geração perdida, dentre eles Ernest Hemingway, James Joyce, Ezra Pound.



Foto: Jessica Souza

         Sylvia Beach relata fatos de sua vida e diversos que cercaram a livraria. Um dos marcantes está na sua relação e apresso por James Joyce, descritos na sua coragem e esforço pela primeira edição de Ulysses (1922). 






14 de jun. de 2017

Um conto por dia: Irretocável, Sibéria Carvalho


      O conto relata um momento importante para a vida de Rosa (personagem que busca equilíbrio e perfeição em tudo), mas acaba por demonstrar "o cinismo consigo mesma", decepcionando narrador e leitor.     Rosa é exageradamente perfeccionista e cercada pelo ambiente que sua mãe lhe ensinara, cheia de simetria e perfeição, simbolizado pela tiara (significando a ordem e o seu poder) de acordo com o narrador: "A perfeição é frágil."         O seu mundo é símbolo do exagero e da irrealidade, sendo um simples quadro torto na parede o início da reflexão sobre suas ações e sua vida. Certo dia, ao sentar-se no sofá, depara-se com o tal objeto fora de sua "ordem natural"; desta forma, Rosa vai em  busca do seu porto seguro, um prumo, para voltar a sua paz interior, mas não encontra.        Desesperada, fora de seu hábito constante de controle sobre tudo, fala: "Onde está a porra daquele maldito plumo?", a partir desse momento tudo  muda; a personagem adentra num estado de reflexão sobre as escolhas que fez na vida. Como o narrador afirma: "E tudo era novo em Rosa, como também novas as suas palavras", chegando a retirar sua tiara.         Acreditamos que tudo mudará em sua vida, mas ao cair no sono (representando o fim do processo de mudança), tudo volta ao "normal", como se nada estivesse ocorrido.          É importante ressaltar dois elementos que estabelecem a ideia de prisão da personagem, a tiara e o prumo. A tiara mostra ser o "poder, glória e prisão"; o prumo, a busca eterna pela "ordem e simetria".      

As informações sobre a contista Sibéria de Menezes Carvalho são: 

"É professora da Rede Estadual de Ensino do Ceará, lotada no CEJA Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira, em Crato-CE, na Área de Linguagens e Códigos. Contista. Foi finalista do Prêmio Nacional SESC de Literatura 2009 com a obra Guilhermina e outros contos. Com o conto Antonia foi uma das vencedoras do III Concurso de Contos do SESC Crato (2010). Contista. Autora do blog www.entre-palavrasecoisas.blogspot.com. Escrever é uma necessidade.

30 de jul. de 2016

Livros sobre Leitura

Livros sobre Leitura



Além dos livros sobre livros, outro tema que me deixa entusiasmada, como algo infinito e profundo a ser estudado é a temática leitura. Talvez por terem sido os livros o meu encontro com o Mundo (meus pais e familiares não são leitores), o alicerce da reflexão e do eterno diálogo aberto da atemporalidade. Ou seja, é mágico! 

Durante a graduação tentei produzir reflexões por meio desse tema em comunicações orais, sempre tentando a reinvenção dos termos de sempre só para querer inserir a importância da leitura. Títulos que usei: 

  • Proposições da leitura;
  • O ato humanizador da leitura em ...;
  • A importância do texto literário...;
  • Bibliotecas pessoais...;
  • "(...) livros para diferentes leitores...;
  • etc
Parece algo bobo, mas em mim é algo surpreendente e que me dá alegria. O objetivo deste post, enfim, é uma lista com títulos que refletem, dialogam, propõe mais ... sobre a Leitura

  • Uma história da leitura - Alberto Manguel
  • O que é leitura? - Maria Helena Martins
  • Elogio da Leitura - Gabriel Perissé
  • A importância do ato de ler - Paulo Freire
  • Como e por que Ler os Clássicos Universais desde Cedo - Ana Maria Machado

29 de jul. de 2016

Um conto por dia: Catedral, por Geórgia Cavalcante




            Intitulado de Catedral, o conto nos faz relacionar a certos elementos que cercam essa palavra, tais como: religiosidade, centralidade, imponência de determinado sentimento e/ou estado de espírito e até mesmo o inverso.

             A medida que avançamos na leitura, percebemos elementos chaves que fazem o leitor "prever" seu desfecho, mas devido a boa escolha lexical as suposições tomam outro caminho. Cenário cinza e escuro, com uma personagem feminina que caminha envolta em atmosfera de mistério, há chuva, anotações na agenda, e por fim, um encontro... 

      O enredo do conto aborda um momento, que supomos importante, para a vida da personagem chamada Sofia. Entendemos no início que ela está bem (em termos de saúde), pois caminha a procura de uma igreja para um encontro que foi marcado sem lembrar com quem e porque. Após, nos deparamos com o cenário obscuro e abandonado, temos a seguinte descrição: 


"Caminhou até o altar e contemplou os utensílios abandonados: um turíbulo, uma taça amassada, restos de uma toalha bordada. Ficou ali, procurando algo que explicasse o encontro. Uma pista qualquer. De repente, um estampido alto e todo o seu copo começou a formigar. A boca encheu-se de sangue. A visão ficou turva. Buscou apoiar-se no banco mais próximo. Lascas de madeira penetraram a carne macia de suas mãos." 

          As ações seguintes são cheias de mistério e temor, quem foi? Por quê?  O que houve antes desse encontro? Por que aquele local abandonado e cheio de metáforas? 

      Uma pessoa aparece com algo nos braços, a pessoa é um homem que segura um bebê recém nascido morto nos braços. Sofia fica apavorada e confusa. Tomamos conhecimento que o homem culpa a mulher pelas suas escolhas e relata que a criança foi deixada pela mãe em uma lata suja; assim, entendemos que Sofia recentemente teve a criança. 

         A forma como é descrita as ações e falas do homem nos faz pensar que eles possuem alguma ligação; este pode ser até mesmo a representação do dever, do destino,...  por fim, não temos como afirmar que ele é o pai da criança. É alarmante o que o homem faz com as duas (detalhe: Sofia está super mal e a bebê está morta), amarrá-las no altar e sai:


"É assim que deve ser - pensou. Agora você irá se dedicar à criança. Depois que a raiva ceder, você se deixará envolver. São mãe e filha. Você ainda está tensa do parto solitário, talvez um pouco deprimida, mas eu cuidarei de vocês. Tudo se arrumará. É uma  questão de tempo."




A contista, além do seu talento, é blogueira, fotógrafa, professora, possui contos publicados na revista Pechisbeque. 



                 



28 de jul. de 2016


  Édipo Rei e a Poética de Aristóteles: suas relações na tragédia


Édipo Rei foi uma peça trágica escrita por Sófocles aproximadamente no ano de 430 a.C., famoso tragediógrafo que nasceu e morreu na cidade de Colono.

O presente texto irá estabelecer relação entre a tragédia Édipo Rei e suas características trágicas a partir da Poética de Aristóteles. Por meio dessa tese, o questionamento que propomos é: Quais são as características da tragédia em Édipo Rei apresentadas na Poética de Aristóteles?

A tragédia possui enredo bastante impactante e comovente, pois se inicia com o anúncio de um oráculo dirigido aos reis de Tebas, Laio e Jocasta; este dizia que o casal teria um filho no qual mataria o próprio pai e constituiria família com a própria mãe. Com este anuncio, por precaução, após o nascimento do filho, eles o entregam para que seja morto, devido anúncio dos deuses.

O que acontece é que a criança foi entregue a um homem advindo de outra cidade, Colono, sendo assim criado por outro casal de reis; seu nome fica denominado de Édipo devido às características presentes em seus pés. Após crescer, um dia passando por entre um caminho, mata alguns homens desconhecidos que encontra no local.

Após o corrido, Édipo torna-se rei de Tebas e esposo de Jocasta, pois Laio, seu esposo, havia sido morto em uma viagem. O casal constitui família e vive feliz; um dia após seu cunhado Creonte voltar de sua expedição com o fim de consultar o deus Apolo, inicia seu caminho para a descoberta de sua origem e quem assassinou o antigo Rei.  Assim, Édipo descobre ser filho de Laio e Jocasta, ou seja, matou o próprio pai e constituiu família com a própria mãe. Ao descobrir, a rainha mata-se enforcada e Édipo fura seus olhos com um broche da roupa de sua mãe-esposa, após pede exílio de sua cidade.

Sendo este o enredo, podemos perceber elementos característicos das tragédias gregas. Desta forma, Édipo Rei é utilizado por Aristóteles em sua Poética como exemplificação para qualidades e características presentes em uma tragédia. Os elementos apontados pelo filósofo são: peripécia; inspirar no telespectador pena, compaixão e temor; reconhecimento.

Respectivamente, sobre a peripécia Aristóteles nos diz: “Como, no Édipo, quem veio com o propósito de dar alegria a Édipo e libertá-lo do temor com relação à mãe, ao revelar quem ele era, fez o contrário.” Ou seja, é a presença de uma reviravolta que muda o rumo do enredo.

Pena, compaixão e temor, produzido pela catarse (ou seja, aproxima o telespectador pelos sentimentos que inspira), isso devido a Édipo mesmo “desfrutando grande prestígio e prosperidade’ e pelo ‘arranjo das ações”, seu infortúnio não se dá devido ao vício ou maldade.

Reconhecimento, ou seja, a mudança que “produz abalo” e a ação praticada “pode também ser praticada sem que o autor tenha consciência da monstruosidade, mas venha reconhecer o parentesco”, como ocorreu com Édipo, seu destino ligado ao infortúnio devido a um oráculo.

Sendo ainda, característica também a verossimilhança, ou seja, segundo Aristóteles, o poder “nas ações não pode haver nada de irracional, ou então, que se situe for a da tragédia, como no Édipo de Sófocles”. Essas são algumas características da tragédia citadas em Poética como exemplificação de sua natureza bem estruturada e original.




25 de jul. de 2016

Livros sobre Livros

Livros sobre Livros




Em 2009 descobri os livros sobre livros, ao adentrar no Curso de Letras, tudo a partir do termo bibliófilo. O que era isso? Olhei no meu dicionário de português e fiquei curiosa (intrigada). Com a imensa e cheia de vida biblioteca do Centro de Humanidades, pesquisei o termo e encontrei livros sobre o termo! Poxa, a partir da ai.. isso, esse tema foi me enchendo de empolgação, de muitos meses, anos de leitura a conta-gotas (pena que ele acabe) e numa caça infinita de livros sobre livros!

Aqui está uma lista prévia... 

  • Um vida entre livros - José Mindlin
  • Os livros e os dias - Alberto Manguel
  • Não contem com o fim do livro - Umberto Eco e Jean-Claude Carriere
  • Ex-libris: confissões de uma leitura comum - Anne Fadiman
  • Biblioteca à noite - Alberto Manguel
  • A questão dos livros - Robert Darnton
  • O bibliófilo aprendiz - Rubens Borba de Moraes
  • Fantasmas na biblioteca: a arte de viver entre livros - Jacques Bonnet
  • Livros em Chamas: A história da destruição sem fim das bibliotecas - Lucien X. Polastron




12 de mai. de 2016







Sonetos: forte, simples, leve,
na leitura somos transportados facilmente para o mundo presente nas entrelinhas-linhas.

Foto: Jessica Souza

Fonte: http://www.tttattoo.com/1200-thickbox_default/geometric-rose.jpg

11 de mai. de 2016

      
Vagando pela História e Arte


      É sabido que História e Arte estão vinculadas, juntas promovem manutenção da cultura e promove as futuras gerações novas criações a partir das anteriores. Assim, com a mistura de elementos e influências podemos usufruir também singularidade e diversidade do olhar de artistas que se destacam ao produzir sua arte. Desta forma, qual a importância da arte?  Qual sua importância vinculada ao medievalismo e a literatura, bem como se deu sua expressão?

    Não há um determinado período exato de quando se iniciou a Idade Média, conhecida também como Idade das Trevas devido a período de instabilidade envolvido em batalhas e grande desigualdade social (consequentemente, concentração do saber desigualitária), conforme nos diz Ernst Gombrich (famoso historiador vienense) em A História da Arte (cap. 8).

      Considerando o pensamento que o estudioso e crítico brasileiro José Ribamar Franklin de Oliveira na apresentação do Dicionário da Idade Média intitulado Breve Panorama Medieval temos a ideia que o termo “período das trevas” é equivocado, pois o “Medievo não significa somente a fundação da Europa em suas bases cristã e romana. No bojo da Idade Média gerou-se o mundo moderno”, além de “inúmeros proto-renascimentos” que começaram a ser maturados em meio a tanta instabilidade e mudanças.

     Mediante o que foi dito pelos estudiosos acima, acerca da Idade Média, percebemos sua contribuição e evolução nas mãos de artistas; confirmando assim a importância da Arte, levando-nos ao seu acesso por meio da literatura, pintura, escultura, música. Fato importante é a invenção de Gutenberg, onde podemos prestigiar em meados do século XV o estopim da cultura escrita (deixando de ser restrita aos monges copiadores em seus mosteiros, passando a inúmeras tiragens e, consequentemente, revolução da informação e do conhecimento).

     O acesso à arte e suas diversas expressões era restrito ao clero e a nobreza, como característica do período medieval as temáticas eram voltadas ao religioso em busca de sua propagação e manutenção. Ou seja, em sua maioria buscava-se expressar: nas pinturas com imagens simbólicas cristãs; na arquitetura com o estilo gótico e românico; escultura com imagens de cavalheiros com seu armamento pronto para as Cruzadas, além de imagens representando figuras famosas presentes na Bíblia; na música com letras em latim e instrumentos melodiosos.

     Já na literatura por meio do códex (códice), a informação e a arte eram realizadas pelo processo manuscrito, reservado a um grupo de copiadores, geralmente no interior de monastérios, ou seja, conhecimento reservado para poucos como já referido anteriormente.

  Contudo, a arte literária manifestou-se por meio da poesia trovadoresca, sendo esse período literário denominado Trovadorismo que permeou entre os anos de 1198 a 1418, segundo Massaud Moisés em A literatura Portuguesa.

    A poesia era manifesta pelos trovadores, que a compunham e declamavam ela com a utilização de instrumentos musicais; assim, elas também eram denominadas de cantigas que podendo ser lírico-amorosa (cantiga de amor e de amigo) e satírica (cantiga de escárnio e de maldizer). Respectivamente:

a) cantiga de amor destinada a uma amada inalcançável, com confissões amorosas por parte do homem para com a mulher, tendo o sofrimento (ou coita) pela presente em sua temática. Famoso trovador do século XII foi o português Paio Soares Taveirós com sua cantiga de Ribeirinha.

b)   Cantiga de amigo mesmo escrita por um trovador, tem o objetivo de representar o amor da mulher (geralmente não pertence a nobreza) para com o amado inalcançável, por meio de sua confissão amorosa a natureza, bem como seus familiares. Don Dinis, outro trovador português que obteve sucesso ao desenvolver esse tipo de cantiga.
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c)   Cantiga de escárnio e maldizer, como a própria denominação, busca ridicularizar a pessoa destinatária da cantiga. A distinção consiste em: na primeira há omissão da pessoa a quem é dirigida a canção, além da linguagem indireta; e na segunda a linguagem é mais seca e direta, com a presença do nome de quem se quer ofender.



Na literatura do período medieval, também predominou a prosa, por meio das novelas de cavalaria, crônicas e livros de linhagens. As novelas de cavalaria eram baseadas nas expedições que cavaleiros realizavam por meio das Cruzadas, nelas constavam suas aventuras, atos heroicos e idealismos vinculados a temática religiosa. São histórias famosas: História de Merlin, A Demanda do Santo Graal, dentre outros.

Já as crônicas e livros de linhagens, em que são relatados traços da nobreza e sua atuação, bem como o histórico de sua família e de seu nome; revelando a desigualdade social e existência da manutenção religiosa e ideológica.

Podemos concluir que a arte e sua atemporalidade estão vinculadas com diversas expressões da cultura na História. E relacionando a Literatura e o Medievalismo, percebemos que a conexão entre eles busca resignificar cada pessoa com características e representações históricas, buscando vivacidade por parte das futuras gerações.


REFERÊNCIAS


  • GOMBRICH, Ernst Hans. História da Arte. LTC, 2000.
  • LOYN, Henry R. Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990.
  • MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa. São Paulo: Cultrix, 2006.

10 de mai. de 2016




            Impressionante a narrativa do conto O escritor de guardanapo, as alusões e o desfecho final. Trata-se, ao meu ver, do choque de expectativas de um simples transeunte do bar do Catito em torno de outro costumeiro cliente visto como Boca Suja. 

        O codinome faz referência as ações desta pessoa, caracterizada como português bigodudo, cheio de apetite e que não limpa a boca. Mas o detalhe apresentado pelo narrador no início do conto é seu desespero em ver comida ou mesmo um grão de arroz desperdiçado ou sobra. ("Resto de comida é uma coisa estranha. Desde pequeno achei isso, influência materna.) 

        O que deixa o leitor já na expectativa da associação de alguma ação do Boca Suja e sua "obsessão" pelo não estrago de alimento. Mas no meio da narrativa o guardanapo entra em cena. Como assim? O Boca Suja vai limpar mesmo a boca? Nesse momento é revelado o hábito desse estranho cliente (imediatamente relacionamos com o nome do conto) Ou seja? Ele solicita ao garçom guardanapos e lá escreve seus pensamentos que só temos direito de saber ao lermos as últimas linhas do conto. 


         E acerca do contista, sabemos por meio de uma mini biografia na coletânea que Raphael Barros Alves é jornalista e escritor. 


*Conto extraído do livro IV Coletanêa de Contos Sesc, que caracteriza o projeto Um conto por dia (com objetivo de apreciar de maneira pessoal as linhas singelas e profundas presentes no conto).

16 de jul. de 2015

Francisco Carvalho: vida e poesia
[Descobrir e Redescobrir] 


Completamente atemporal... refletir... 

 
  Antonio Abujamra recita Nós não temos heróis, de Francisco Carvalho

Nós, nós não temos heróis. Nem jamais os tivemos. Afinal, para que servem os heróis e suas estátuas de granito ou mármore negro, seus cavalos de bronze, suas medalhas barrocas e as espadas que não passam de metáforas?
Para que servem os heróis se o ácido da chuva desdenha da glória dos homens e nem os pássaros se importam com eles?
Para que servem os heróis se nem sabe quem somos nem jamais ouviram falar dos nossos mitos e utopias?
Infeliz do país que necessita de heróis.

Francisco Carvalho: vida e poesia
[Descobrir e Redescobrir]


              Não conhecia o poeta até uma amiga me presentear com suas obras. Assim que vi aqueles volumes tive logo a intenção de começar a ler: curiosidade por saber quem era aquela pessoa, o que escreve e como era seu coração literário. Que surpresa tive ao escutar dela que não havia muita coisa sobre ele, comecei a ler um de seus livros de sonetos Rosa Geométrica e pesquisei sobre, não encontrando praticamente nada (Ou melhor, somente duas ou três páginas na web sobre sua vida, informações vagas e o nome de suas publicações.)

                      Assim com esse post pretendo iniciar um projeto de leitura sobre Francisco Carvalho, ou seja, lerei seus textos e produções críticas sobre suas obras para o fim de escrever minhas impressões de leitura (objetivo principal do presente blog). Por isso o nome Francisco Carvalho: vida e poesia [Descobrir e Redescobrir].


            


15 de jul. de 2015



       


   O conto proporciona curiosidade ao leitor a partir do título, As pupilas de Safo. Chegamos a imaginar que Safo esteja relacionado a mitologia grega, mas ao lermos o conto e pesquisar sobre a terminologia percebemos que trata-se de um dos neologismos presentes no texto e justificado pela relação das personagens principais Lavínia e Eva.


                  A temática principal está associada ao amor e desejo sincero entre as personagens, como algo espiritual ligados ao celestial. Lavínia encontra-se no bar com seu namorado George e seus amigos em mais um  momento que "por diversas vezes (...) repetiu-se". Após é apresentado o papel que seu namorado possui para ela, "George, sempre calado, não se entrosava muito. Cão fiel de sua dona ficava ao lado dela espreitando seus movimentos aguardando ansiosamente um mimo ou um agrado qualquer vindo dela. Por sua vez, Lavínia, agitada pela movimentação do bar, parecia indiferente ao namorado ali, ao lado." Em sua relacionamento com George percebemos que trata-se de uma "justificativa" frente a sociedade. 

          Eva chega atrasada ao bar, há troca de mensagens ocultas (termos que só as duas têm conhecimento) usando a palavra Rigel que para elas significa Eu te amo. "Na verdade Rigel é uma estrela dupla, situada na constelação Órion, tem a cor branco-azulada e se apresenta esplendorosamente no firmamento." Mais explicativo ainda se torna o termo ao lermos: 

"Partiu dela [Eva] a ideia de usar o nome dessa estrela toda vez que a vontade libidinal conclamasse seus corpos a satisfazerem suas necessidades afetivas intensas. Justamente pelo fato de serem suas estrelas unidas em uma só é que propôs o nome Rigel, fazendo alusão ao seu mais forte anseio: o de viverem seus amor sem nenhum impedimento. Livres. Juntas. Unidas. E principalmente sem a sombra de George."

            Usei trechos presentes no conto para a apreciação devido eles conterem não só palavras, mas o sentimento que as personagens compartilham junto ao cosmo. Continuando, George fica embriagado e Lavínia pede para levá-lo para casa, mas antes deixa um recado para Eva esperá-la no bar. As personagens vão para um monte chamado Alto dos Pinheiros e compartilham mais um momento de entrega.

                    A contista Lorena Kelly "é graduada em Letras Português-Inglês. É estudante autônoma de francês, adora o mundo literário e o estudo de línguas. É técnica-administrativa do IFCE. Já publicou algumas de suas obras nas antologias poéticas - VIDE VERSO e OUTRAS ÁGUAS." (Informações retiradas do livro IV Coletânias de Contos Sesc, edição 2012) 


*Conto extraído do livro IV Coletanêa de Contos Sesc, que caracteriza o projeto Um conto por dia (com objetivo de apreciar de maneira pessoal as linhas singelas e profundas presentes no conto).

                

4 de jun. de 2015


                          


O  tempo

por Jessica

Fator que carrega a nossa vida,
contamos tudo.. damos conta de como tudo passa..
é aproveitar? o que? o tempo? e o amanhã como e onde estaremos?
Pensar, estar e viver...


Imagem: https://almaobesa.files.wordpress.com/2013/04/o-tempo-voa.jpg